Profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros, muitas vezes atuam em ambientes que envolvem riscos reais à vida. Entre plantões intensos, atendimentos emergenciais e exposição a substâncias perigosas, muitos sequer sabem que têm direito ao adicional de periculosidade — e pior, acabam deixando de receber valores que são garantidos por lei.
Neste artigo, vamos esclarecer tudo sobre o adicional de periculosidade para médicos e enfermeiros, com base na legislação vigente, jurisprudência e situações reais de atendimento. Se você atua em hospitais, clínicas, ambulâncias ou UTIs, leia com atenção. Pode ser que você esteja abrindo mão de um direito.
O que é o adicional de periculosidade?
A periculosidade é o risco iminente à vida durante o exercício da profissão. Ela está prevista no artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), e garante o pagamento de um adicional de 30% sobre o salário-base ao trabalhador que, em sua rotina, esteja exposto a situações de perigo, como:
- Contato com materiais inflamáveis ou explosivos;
- Exposição a energia elétrica de alta tensão;
- Manuseio de substâncias radioativas;
- Trabalho em áreas de risco com produtos químicos perigosos.
Na área da saúde, isso se aplica especialmente a enfermeiros e médicos que atuam com equipamentos de radiologia, centrais de oxigênio, ou que transportam combustíveis ou atuam em ambulâncias com cilindros de oxigênio.
Casos mais comuns na área da saúde que geram direito ao adicional
Veja algumas situações típicas que podem configurar periculosidade para médicos e enfermeiros:
- Contato com substâncias inflamáveis
Profissionais que manuseiam cilindros de oxigênio medicinal, especialmente em ambulâncias, UTIs móveis ou hospitais, correm risco de explosão em caso de vazamentos ou mau uso. - Exposição a radiação
Médicos que atuam em salas de radiologia, tomografia, ressonância magnética ou que acompanham procedimentos que envolvam radiação, sem o devido isolamento. - Contato com agentes explosivos ou inflamáveis
Profissionais que trabalham em laboratórios ou almoxarifados que armazenam produtos químicos inflamáveis, como álcool em grandes quantidades.
Como é feito o cálculo do adicional de periculosidade?
O adicional corresponde a 30% sobre o salário-base do trabalhador, sem incluir gratificações, adicionais ou horas extras.
Exemplo com base no salário mínimo de 2025 (R$ 1.502):
👉 30% de R$ 1.502 = R$ 450,60 mensais de adicional de periculosidade.
Esse valor deve ser integrado ao salário mensal enquanto houver a exposição ao risco. Se o empregador não pagar, o profissional pode buscar reparação judicial com efeitos retroativos.
Exemplo Prático- situação real que aconteceu em nosso escritório
A Dra. Adriana, advogada trabalhista, atendeu um enfermeiro socorrista que atua há 5 anos no SAMU e transporta cilindros de oxigênio diariamente. Ele nunca havia recebido o adicional de periculosidade.
Durante a análise do caso, foi constatado que:
- Ele entrava e saía da ambulância diversas vezes ao dia com o cilindro no veículo;
- Não existia nenhuma proteção especial ou plano de contenção de risco;
- Ele assinava ponto como técnico de enfermagem, mas suas funções iam além da assistência clínica.
A equipe jurídica ingressou com ação trabalhista pedindo:
✅ Reconhecimento do adicional de periculosidade retroativo a 5 anos;
✅ Integração ao FGTS e férias com 1/3;
✅ Correção monetária e juros.
O resultado? Causa ganha, com recebimento de valores retroativos superiores a R$ 20 mil reais.
Como garantir esse direito?
Documente suas funções: Tenha provas (como vídeos, fotos, relatos ou testemunhas) de que você atua com riscos de explosão, contato com radiação ou inflamáveis.
Consulte um advogado especializado: Um profissional da área pode analisar seu caso individualmente e instruir quanto às provas e à viabilidade de uma ação.
Nunca aceite a perda de um direito por medo de retaliação. A lei está ao seu lado.
Conclusão: valorize sua saúde e sua segurança
O adicional de periculosidade não é um bônus, e sim uma proteção legal ao trabalhador que arrisca a vida todos os dias para salvar outras. Se você é médico ou enfermeiro, atua em situações de risco constante e não recebe esse adicional, é hora de agir.
Fale com a Dra. Adriana
Se você quer saber se tem direito ao adicional de periculosidade ou deseja entrar com uma ação para recuperar valores retroativos, agende sua consulta e esclareça suas dúvidas.

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